21 de março de 2016

Decantar e Aerar

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Cris Spinola Faria

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O mundo do vinho tem um vasto e rico vocabulário, e de quando eu quando escolherei alguns termos para explicar o significado.
As duas palavrinhas deste post são bem comuns e bastante utilizadas, até de forma incorreta, inclusive: 

DECANTAR: verbo transitivo. Passar suavemente um líquido de um vaso para o outro a fim de separá-lo do sedimento ou depósito. 
Decantar o vinho é o ato de verter, de transferir a bebida da garrafa de vinho para o decantador, seja para separar o líquido da borra quando o vinho é envelhecido, seja para aerar o vinho.


AERAR: verbo transitivo. Expor ao ar (ex.: o silo permite aerar os grãos)
Aerar o vinho é permitir o contato amplo da bebida com o ar para que ele "respire" e evolua.
Pode-se aerar um vinho colocando-o no decantador pelo menos meia hora ates de ser servido (a base larga do decanter serve exatamente para permitir o maior contato possível do líquido com o ar). Também pode-se aerar o vinho na própria taça, girando-a com firmeza, para que o vinho "abra" na taça e libere os seus aromas.

18 de março de 2016

Chateau de La Riviére 2008

Degustado em 18/03/2016. 
Em casa, São Paulo - SP.
Produtor:
Chateau de La Riviére
Vinho:
Chateau de La Riviére
Uva(s):
Merlot (83%), Cabernet Sauvignon (7%), Cabernet Franc (5%),  Malbec (5%)
Safra:
2008
País:
França
Região:
Bordeaux, Fronsac AOC
Preço:
($ = 0 a R$ 100,00)
$$
Minha Avaliação:
(* a *****)
***
Vinho envelhecido, super potente e encorpado.

17 de março de 2016

Castello Banfi 2013, Rosso di Montalcino

16/03/2016, São Paulo - SP
 
Produtor:
Castello Banfi
Vinho:
Rosso di Montalcino
Uva(s):
Sangiovese
Safra:
2013
País:
Itália
Região:
Brunello
Preço:
($ = até R$ 100,00)
$$
Minha Avaliação:
(* a *****)
***
Vinho potente, harmonizou bem como queijo parmesão italiano

AS GARRAFAS DE VINHO: a reentrância na base


O porquê da existência da reentrância ou concavidade (o "punt") na base das das primeiras garrafas de vidro produzidas artesanalmente antes da produção em série a partir da Revolução Industrial já foi comentada no post AS GARRAFAS DE VINHO: a História (clique para acessar).

Tal concavidade foi preservada na maioria dos modelos ao longo dos anos, tanto por questões de apego à tradição quanto por favorecer o equilíbrio da garrafa em pé, facilitar o empilhamento da garrafa deitada, e auxiliar na distribuição da pressão dos vinhos espumantes.



Hoje essa concavidade ganha outra importante função, e de grande utilidade, relacionada aos vinhos de guarda envelhecidos, e que consiste em permitir que os sedimentos (a borra do vinho) fiquem depositados no anel no entorno da garrafa, separada do restante da bebida, auxiliando na separação da parte sólida da parte líquida do vinho na decantação.

E não, a reentrância no fundo da garrafa não está ali para o garçom encaixar o dedo e ter mais firmeza na hora de servir o vinho! Pode até ajudar nesse sentido, mas não foi concebida e nem mantida em razão disso.

E era isso. Acho que lembrei de falar de tudo nesta série sobre as garrafas de vinho...

Espero que tenham gostado, que estes artigos possam ser bastante úteis e os ajudem a reconhecer o seu estilo preferido de vinho só pela análise da garrafa.

E se gostaram, compartilhem! 

Ajudem-me a atingir o maior número de leitores possível.

AS GARRAFAS DE VINHO: os diversos formatos

Em relação à forma, as primeiras garrafas eram arredondadas, com gargalo longo em formato de cone, e com tamanhos maiores, de vários litros, pois quanto maior o envase, melhor a evolução e amadurecimento do vinho.

Com o tempo passou-se à forma cilíndrica e de menos volume, o que facilitou não só o transporte e a comercialização como o empilhamento das garrafas na horizontal.

E como já visto em relação às cores no último post, o formato da garrafa também revela muito sobre o vinho.

As mais tradicionais são as garrafas de Bordeaux ou bordalesas: corpo cilíndrico e alto, com “ombros” angulares e gargalo comprido (01); as de Borgonha ou borgonhesas: mais larga e arredondada, com curvas suaves e quase sem “ombros” (02); a da região de Alsácia ou alsaciana (ou "flute"): mais fina, alongada e mais comprida, sem “ombros” (03); e as garrafas de Champagne: mais larga e maior, de curvas suaves, de vidro mais grosso e resistente para suportar a pressão interna da bebida (04):




No caso dos vinhos do Novo Mundo, novamente, o critério de escolha é livre. Mas prevalece a utilização dos formatos análogos aos Europeus.

Em vinhos produzidos no Chile, no Brasil e na Austrália, por exemplo, é comum que se utilize a garrafa do tipo bordalesa sempre que o vinho for produzido com as cepas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, originárias da região de Bordeaux.

Caso seja um vinho feito das uvas Pinot Noir ou Chardonnay, castas originárias da região de Borgonha, a preferência será por garrafas do tipo borgonhesas.


As mesmas garrafas para Chablis, Chardonnay da Borgonha
e Chardonnays californianos

Se o vinho vier da Alsácia ou da Alemanha e for feito com as uvas típicas Riesling e Gewürztraminer, então o formato da garrafa será o alsaciano ou "flute":

Vinho da Alsácia em garrafa "flute"

E diversos espumantes pelo mundo afora também são envasados em garrafas que possuem o formato típico da região de Champagne.

Então agora vocês já sabem:

Se o vinho vier em uma garrafa de cor verde escuro do tipo bordalês, é bem provável que você esteja diante de um “blend” feito com as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc provenientes da região de Bordeaux, ou de um vinho do Novo Mundo produzido com essas uvas, típicas daquela região.

E se o vinho vier em uma garrafa de cor verde escuro do tipo borgonhesa, é bem provável que você esteja diante de um varietal proveniente da região da Borgonha feito com as uvas Pinot Noir ou Chardonnay, ou de um vinho do Novo Mundo produzido com essas mesmas uvas, e que “aspiram ser um Borgonha”, por assim dizer. 

Porém, se a garrafa for do tipo borgonhesa e a cor não for verde escuro, como na figura abaixo, bem, é vinho feito com as uvas Pinot Noir ou Chardonnay, mas produzido no Novo Mundo, porque as garrafas que saem da Borgonha são todas, sempre, de cor verde escuro. 

É só prestar atenção nos diferentes formatos e nas cores das garrafas:


Etretanto (e sempre há um entretanto), alguns produtores de regiões clássicas (a exemplo do que acontece hoje em Bordeaux) estão a abandonar as tradições produzindo vinhos que não são engarrafados em conformidade com as convenções da sua região, exatamente para serem considerados modernos e diferenciados.

Não percam o último post da série sobre garrafas: AS GARRAFAS DE VINHO: a reentrância na base, no qual falaremos sobre
a curiosa concavidade existente na base de algumas garrafas.

Espero que tenham gostado, e se gostaram compartilhem!