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11 de outubro de 2016

Entendendo os rótulos dos vinhos da Itália e França

Uma das maiores dificuldades dos iniciantes no mundo do vinho é conhecer todos os termos e expressões e interpretar todas as informações que constam nos rótulos das garrafas de vinho.

Como saber o que estamos comprando sem precisar ser um expert no assunto?  Como acertar na hora de comprar um vinho ou de indicar uma compra para um amigo?

E essa missão não é mesmo nada simples, porque na maioria dos países do Velho Mundo, a exemplo principalmente da Itália e da França, nos vinhos de denominação de origem controlada não há indicação do tipo ou dos tipos de uva no rótulo, constando geralmente apenas o nome da região, sub-região ou até mesmo do Château ou Maison.

É o caso, por exemplo, dos tradicionais vinhos italianos:
  • Amarone della Valpolicella ou simplesmente Amarone (blend das uvas autóctones Corvina ou Corvinone e Rondinella produzido na região de Valpolicella); 
  • Barolo (varietal com a uva Nebbiolo produzido na região do Piemonte); 
  • Chianti (blend com as uvas Sangiovese (de 75% a 100%), Canaiolo (até 10%) e uvas internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot ou Syrah (até 20%), vinho carinhosamente apelidado como o "Bordeaux italiano", produzido na região de Chianti, Toscana);
  • o delicioso Brunello de Montalcino (varietal com a uva Brunello, nome dado à Sangiovese cultivada no local, produzido na região de Montalcino, Toscana) (foto abaixo):

Fonte: Occhio Nero

E também dos vinhos clássicos franceses:
  • Borgonha tinto (varietal com a uva Pinot Noir) e Borgonha branco (varietal com a uva Chardonnay ou com a uva Aligoté, mas os vinhos com esta última nunca chegam até aqui, a produção é pequena e se destina aos locais, sorte deles!); 
  • Bordeaux tinto (blend das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, e em menores proporções Malbec e Petit Verdot) e Bordeaux branco (varietal com a uva Sauvignon Blanc ou blend com as uvas Sauvignon Blanc, Semillón e em menor proporção a Mucadelle); margem direita (predomina a tinta Merlot) e margem esquerda (predomina a tinta Cabernet Sauvignon) (foto abaixo);
  • Champagne (vinho espumante feito com assemblage da uva branca Chardonnay e das uvas tintas Pinot Noir e Pinot Meunier, produzido na região de Champagne); 
  • Chablis (varietal com a uva Chardonnay); 
  • Beaujolais (varietal com a uva Gamay).


E por aí vai... A lista é longa e parece não acabar mais!!!

Fica ainda mais difícil de saber o que estamos comprando ou consumindo se os vinhos forem de mesa, Vino da Tavola para os italianos e Vin de Table para os franceses, porque aí no rótulo não pode haver nem indicação da uva, nem da região produtora, e nem mesmo da safra, pois isso afronta as regras e regulamentos de apelação ou denominação controlada!

Bem, para facilitar essa jornada pelo mundo do vinho afora, segue uma listinha básica com os termos de designação de classificação dos vinhos, bem como o significado de algumas expressões bem comuns, que aparecem em quase todos rótulos, e que poderão ajudá-lo nessa missão:

NA ITÁLIA:

Termos de classificação dos vinhos italianos:
  • Vino da Tavola: vinho de mesa ou o "vinho da casa" italiano, o vinho popular e econômico, feito com uvas viníferas diversas, mas geralmente sem indicação de casta, de região ou de safra, Não há regras para a produção do Vino da Tavola, e todas as escolhas, da videira à garrafa, ficam a cargo do produtor/enólogo;
  • IGT Indicazione Geografica Tipica: em escala crescente de superioridade e qualidade, é o segundo de quatro classificações de vinho reconhecidas pelo governo da Itália, são rotulados com a localidade de sua criação (territórios mais amplos e abrangentes), mas não satisfazem os requisitos das DOC ou DOCG, designações mais rigorosas (e territorialmente menores). É considerado globalmente equivalente ao francês vin de pays;
  • DOC Denomianazione di Origene Controllata: é o terceiro de quatro classificações, uma etiqueta de garantia de qualidade, produção e procedência para os vinhos italianos. O sistema baseia-se no Francês Appellation d'Origine Contrôlée (AOC), e foi introduzido pelo governo italiano em 1963 e revisto em 1992 para dar cumprimento à legislação da União Europeia sobre as denominações geográficas de origem protegidas, que entrou em vigor naquele ano;
  • DOCG Denomianazione di Origene Controllata e Garantida: é a mais alta etiqueta de garantia dos vinhos italianos. A necessidade de uma identificação DOCG surgiu quando a designação DOC foi, na opinião de muitas indústrias de alimentos italianos, dado demasiado liberal para diferentes produtos. Uma nova identificação mais rígida e restritiva foi então criada, mas qualitativamente diferente. O Termo "garantida" significa que todos os produtos finais dessa apelação são testados por especialidades para garantia da qualidade.


Expressões comuns nos rótulos:
  • Amabile: Semi-doce;
  • Azienda: Produtor;
  • Bianco: Branco;
  • Chiaretto: Rosé;
  • Classico: produzido na área mais antiga e tradicional da região;
  • Dolce: Doce;
  • Fattoria: Propriedade;
  • Novello: Vinhos muito jovens, colocados à venda logo após a fermentação, e que devem ser consumidos em até 3 meses;
  • Passito: Feito com uvas passificadas (uvas passas), que passaram por uma processo de passificação (desidratação);
  • Riserva: Vinho que passou por um processo maior de envelhecimento
  • Rosso: Tinto;
  • Superiore: indica um teor alcóolico ligeiramente maior do que o normal, geralmente de 0,5° a 1,0°;
  • Tenuta: Propriedade;
  • Outras informações: nome da uva; nome do vinhedo, nome da  sub-região de produção, se houver denominação de origem.

Fonte: Tango & Wine

NA FRANÇA:

Termos de classificação dos vinhos franceses (sistema antigo, em transição):
  • Vin de Table é o vinho de mesa francês, o vinho popular e econômico, e não há regras para a sua produção: pode ser produzido com qualquer tipo de uva, cultivada em qualquer região, com utilização da quaisquer meios de produção. A única exigência é que no rótulo frontal não pode haver menção nem do tipo (cepa,  casta) da uva, nem da safra, e nem da região em que foi produzido,  pois isso afronta as regras e regulamentos de appellation  contrôlée;
  • Vin de Pays um nível acima, abrange cerca de 150 appellations, classificação introduzida no ano de 1973 para promover vinhos regionais e para garantir vinhos decentes de maior qualidade para o consumo diário. Os rótulos frontais das garrafas podem indicar o tipo ou os tipos de uva, e também podem indicar o ano da safra e a região de procedência;
  • VDQS Vin Délimité de Qualité Superiore: representa menos de 2% da produção nacional, e foi oficialmente dada por extinta há alguns anos porque aparentemente os vinhos de preço baixo dessa classificação não são bons o bastante para serem promovidos à appellation contrôlée, tampouco interessam às autoridades que controlam a classificação dos vins de pays;
  • AOC Appellation d'Origine Contrôllé: nesta categoria entram os vinhos de designação de origem controlada, de qualidade superior em relação às demais classificações. Existem legislações específicas e um controle rigoroso do Governo e de Comissões não governamentais sobre os vinhos AOC, que só podem ser produzidos seguindo-se as regulamentações específicas de cada região.

Termos do atual sistema de classificação dos vinhos franceses:
  • Vin de France: Vinho sem identificação geográfica de região de produção. Em linhas gerais, veio para substituir os ent]ao chamados Vin de Table;
  • IGP Indication Géographique Protégée: Vinho com identificação geográfica, veio para substituir os Vin de Pays;
  • AOP Apellation d'Origine Protégée: vinho de apelação controlada produzido em uma região ou sub-região específica, somente os vinhos ali produzidos podem conter o nome da região ou sub-região no rótulo, veio para substituir os vinhos AOC Appellation d'Origine Contrôllé.

Para conhecer com um pouco mais de detalhes esse complexo sistema de classificação dos vinhos franceses, ler outro artigo que já publicamos aqui, A CLASSIFICAÇÃO DOS VINHOS FRANCESES.

Expressões comuns nos rótulos:
  • Château (em Bordeaux): Castelo, Propriedade;
  • Cru: Vinhedo delimitado específico, geralmente pequeno;
  • Côtes: Vinhedos de encosta;
  • Clos: Vinhedos murados;
  • Cuvée: Vinho de melhor qualidade da vinícola, obtido da primeira prensagem das uvas;
  • Cru / Cru Classé / Grand Cru / Grand Cru Clasé / Premier Cru: designação de hierarquia do Château / Domaine de acordo com a qualidade, são denomianção imutáveis conferidas por leis há decadas, e variam nas diferentes sub-regiões de Bordeaux e Borgonha;
  • Domaine (em Borgonha): Propriedade;
  • Maison: Mansão, Propriedade;
  • Mis em Bouteille au Château/Maioson/Domaine: Vinho engarrafado na própria vinícola, designa um vinho de qualidade melhor;
  • NM Negociant Manipulant: Comerciante do vinho;
  • NE Negociant Eleveur: Comerciante que traz e amadurece o vinho;
  • CM Cooperativa Manipulant: Cooperativa.

Fonte: Wine Seacher

E em Portugal e na Espanha a coisa é um pouco mais simples, falaremos sobre a terminologia dos rótulos dos vinhos desses dois países em um próximo post.

Fiquem ligados e aprendam mais!

    7 de setembro de 2016

    Quanto custou a garrafa de vinho mais caras de 2016?

    Foto: Christie

    No início do mês de setembro 12 garrafas de Romanée-Conti 1988 foram vendidas pela espantosa cifra de US$ 174.000 (você não leu errado, não, são cento e setenta e quatro mil dólares mesmo) em um leilão promovido pela Christie, em Hong Kong. 

    Nesse leilão 94% dos vinhos apresentados e 93% do valor dos vinhos em ativos foram vendidos, o que significa que o interesse pela aquisição de vinhos de luxo ou vinhos premium é grande. 

    Também foram vendidos vinhos Vintages da Borgonha com idade bem mais antiga do que a recomendada para consumo, como vinhos Bouchard Pere & Fils, incluindo uma garrafa de Chambertin 1865 por US$ 39.661, e uma garrafa de Montrachet 1865 que saiu por modestos US$ 25.383

    Mas não é só em leilões que vinhos extremamente caros são arrematados, não.

    Nesse comércio secundário dezenas de garrafas a preço de diamante são anunciadas e compradas todos os dias.

    Recentemente a Wine-Searcher Web atualizou a lista dos 10 vinhos mais caros do mundo, e os preços praticados são surpreendentes.

    Eis o ranking:
    1. Romanée-Conti, Romanée-Conti Grand Cru, Côte de Nuits, França. Chegou a custar 13.346 dólares uma garrafa de uma safra qualquer.
    2. Egon Müller, Riesling Trockenbeerenauslese-Scharzhof Scharzhofberger, Mosel, Alemanha. Chegou a 8.339 dólares a garrafa.
    3. Domaine Leflaive, Montrachet Grand Cru, Côte de Beaune, na França. Chegou a 5.774 dólares a garrafa.
    4. Domaine Leroy, Musigny Grand Cru, Côte de Nuits, França. Alcançou a sifra de 5.463 dólares.
    5. Domaine Georges & Christophe, Roumier Musigny Grand Cru, Côte de Nuits, França. Chegou a US$ 5.249 a garrafa.
    6. Joh. Jos. Prum Riesling Trockenbeerenauslese Wehlener Sonnenuhr, Mosel, na Alemanha. Chegou a 4.745 dólares.
    7. Romanée-Conti, Montrachet Grand Cru, Côte de Beaune, na França. Chegou a US$ 4.534.
    8. Domaine Leroy, Chambertin Grand Cru, Côte de Nuits, França, vendido a US$ 3.719 a garrafa.
    9. Domaine Leroy, Richebourg Grand Cru, Côte de Nuits, França, vendido a US$ 3.009 a garrafa.
    10. Domaine du Comte, Liger-Belair Grand Cru La Romanée, Côte de Nuits, França. Chegou a US$ 2.983.
      É...

      Quando o assunto é vinhos raros, famosos e caros (caríssimos!), a única questão que deve ser levada em consideração é o quanto você pode pagar e se você pode pagar... E pelo visto para esse mercado de vinhos de luxo, o céu é o limite!

      E durma-se com um barulho desse.

      5 de setembro de 2016

      Viagem enogastronômica pelo Norte da Itália

      Olá, 
      Obrigada por visitar o Blog Tudo de Vinho e seja bem-vindo.
      Em outubro de 2016 eu fiz a migração do conteúdo do Blog para outra plataforma, com novo layout e identidade visual.
      Para ter acesso ao conteúdo completo e principalmente aos novos artigos, acesse www.tudodevinho.com
      Obrigada e espero você por lá :-)
      Cris Spinola Faria
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      Uma pessoa muito querida, Renata Itria, irá visitar a Itália no mês de Outubro, e pediu para que eu escrevesse um artigo indicando os pratos típicos da culinária italiana, e os melhores vinhos.

      Missão difícil essa, porque na Itália é tudo muito regionalizado, e o que é produzido e consumido em uma região, não é visto em outra. 

      Exemplo disso, é que o grande vinho Barolo produzido no Norte da Itália, na região do Piemonte, não é encontrado na Toscana, na Itália Central. Na verdade eu procurei e não achei nem nos restaurantes e nem nas lojas, e os toscanenses se sentiam ofendidos por eu estar na Toscana procurando por um Barolo. "Na Toscana nós temos um vinho ainda melhor, que é o Brunello..." eles diziam.... E o grande vinho Brunello di Montalcino, produzido na Toscana, bem, esse também não é encontrado nem no Piemonte, ao Norte, e nem na Sicília, ao Sul.

      E a mesma regra vale para a culinária: cada região da Itália tem o seu próprio estilo e seus próprios pratos típicos.

      Sorte da Renata que depois que eu retornei da Itália eu fiz um curso de Enogastronomia italiana, e aprendi algumas coisinhas que podem ajudar nas próximas idas àquele país tão extraordinariamente extraordinário.

      E começaremos, então, a nossa jornada gastronômica pela região Norte da Itália:


      CULINÁRIA DA LIGURIA: região entre terra e mar, culinária caracterizada por peixes e ervas, e os pratos são a base de Pesto:
      • TORTAS COM VERDURAS - PISCIALANDREA 
      • FOCACCIA 
      • BIANCHETTI, PESCI LUNA, BACCALA 
      • FARFALE AL PESTO DI SEDANO 
      • PANSOTTI ALLA SALSA DI NOCCI
      Piscialandrea di Oneglia

      CULINÁRIA DO PIEMONTE: considerada a mais refinada da Itália, com fortes vínculos com a culinária francesa, e caracterizada pelo uso do toucinho, da manteiga, verduras cruas, grande variedade de queijos, do alho, das trufas e do arroz. Os pratos  mais emblemáticos são: 
      • BAGNA CAUDA 
      • VITELO TONATO 
      • TIRAMISU 
      • BONET 
      Tiramissu

      CULINÁRIA DO VAL D’AOSTA: região muito isolada, vive às custas de produtos locais e a culinária é à base de sopas, carnes, produtos selvagens, manteiga, com pouco ou nenhum uso de massas ou de óleo. Os pratos típicos são:
      • SFORMATO DI PATATE 
      • ZUPPA VALTOSTANA 
      • CARBONADE 
      • FONDUTA 
      • MONTBLANC 
      Carbonade Valdostana

      Mont Blanc

      CULINÁRIA DA LOMBARDIA: território amplo com muitas sub-regiões com vários elementos em comum como laticínios, carne suína e bovina, arroz e milho. Os pratos típicos dali são:
      • RISOTO ALLA MILANESA 
      • BOLITO MISTO 
      • PIZZOCHERI POLENTA E OSEI 
      • TORRONE 
      Risoto alla Milanesa

      CULINÁRIA DO TRENTINO ALTO ADIGE: região muito pouco conhecida, até hoje baseada em sopas e frios (San Danielle e Speck). Pratos típicos:
      • AFFETATTI 
      • PANADA 
      • TIRTLEN 
      • MINESTRA DI FAGIOLI 
      Panada


      CULINÁRIA DO VENETO: Mar e terra se juntam em pratos com uso de bacalhau, arroz, vísceras como o figado e a clássica polenta. Os pratos emblemáticos dessa região são: 
      • BACCALA ALLA VICENTINA 
      • RADICHIO 
      • CAPESANTA ALLA VENEZIANNA 
      • FEGATO ALLA VENEZIANNA 
      Baccala alla Vicentina


      CULINÁRIA DA EMILIA: É considerada a mais tradicional e generosa de toda Itália, resultado de 8 séculos de influência e dominação regional da cozinha bolonhesa. Região das massa recheadas e dos molhos abundantes com tomate e carne. Pratos típicos:
      • RAGU ALLA BOLOGNESA 
      • ANOLINI 
      • TAGLIATELLI 
      • TORTELLI DI MAGRO 
      • TORTELLINNI IN BRODO 
      Ragú alla Bolognese



      CULINARIA DA ROMANA: Região muito pobre e rural com comidas simples a base de raízes “contadini”, massa caseira fresca sem ovos e com vegetais. Os pratos mais emblemáticos são: 
      • STROZZAPRETI 
      • GARGANELLI 
      • PIADINA 
      • BRODETTO
      Strozzapreti con Pomodoro fresco

      Mas... e os vinhos?

      Se quiser trazer algumas preciosidades para casa, o "ouro líquido" do Norte da Itália, seguem as minhas sugestões:

      Da região do Piemonte traga os vinhos Barbera d'Asti ou Barbera d'Alba DOCG (os frisantes são deliciosos) e o vinho Barolo DOCG, considerado um dos melhores vinhos tintos do mundo, com potencial de guarda de até 50 anos. 

      E do outro lado, da região do Vêneto, traga o vinho Amarone della Valpolicella DOCG (que eu particularmente amo) e o espumante Prosecco Conegliano DOCG ou Prosecco Daldobbiadene DOCG.

      Mas se quiser conhecer algumas uvas e alguns tipos diferentes de vinhos (e que em sua grande maioria não chegam por aqui), e quiser escolher entre tantas novidades um ou alguns rótulos que lhe agradem, bem, são muitas uvas autóctones na Itália, muitos tipos de vinhos e muitos muitos muitos produtores para experimentar.

      O que se pode fazer para não se perder é focar nos principais vinhos produzidos com as principais uvas de cada região. E aqui vai uma mapa riquíssimo sobre o assunto:

      Fonte: Wine Folly

      Salve esse "super mapa" no seu celular e consulte quantas vezes for preciso.

      Fora isso, o melhor conselho que eu já recebi, e que eu acho que posso passar adiante, é prove os pratos típicos da região com os vinhos típicos da região. Essa combinação não vai ter erro. E na Itália, como os italianos: seja tradicional e prove os Vinos di Tavola nos restaurantes.

      E quando for às compras, atenção às nomenclaturas:
      • I.G.T. significa "indicação geográfica típica" e é a nomenclatura utilizada para dizer que o vinho (assim como o queijo, o azeite, o Crema Aceto Balsamico etc) foi produzido em uma determinada região geográfica (geralmente mais ampla), sob a regulamentação e regras de produção daquela região, garantindo tipicidade ao produto. Os vinhos feitos com uvas internacionais (não autóctones) como Merlot e Chardonnay muitas vezes se enquadram nesta categoria;
      • D.O.C. significa "denominação de origem controlada" e é a nomenclatura utilizada para dizer que o vinho foi produzido em uma determinada região geográfica mais restrita e com regras ainda mais específicas (essa denominação vale também para o queijo italiano, tipo o Parmigiano Reggiano ou o Pecorino);
      • D.O.C.G. é o nível mais alto da classificação italiana e quer dizer "denominação de origem controlada e garantida".

      Por hoje era só, e no próximo artigo abordaremos a Itália Central.

      26 de agosto de 2016

      Dicas de harmonização de vinho e comida

      A harmonização do vinho com comida é uma arte, e uma das mais difíceis, eu diria, tanto para enófilos iniciantes quanto iniciados.

      Isso porque a harmonização perfeita deve fazer com que a comida e o vinho combinem, conversem, e a comida deve continuar agradável, e o vinho deve ser realçado, "amaciado", "melhorado" e melhor aproveitado.

      E é verdade, quando a harmonização funciona o vinho melhora mesmo, e muito como é o caso do Vin Santo (vinho doce da Toscana) quando consumido com os biscoitos Cantuccini (biscoito meio doce e seco da Toscana feito com amêndoas), na Itália, ou do mesmo Vin Santo quando consumido com Panetone, aqui no Brasil. Esse é um caso clássico de harmonização perfeita, que deixa o vinho MA-RA-VI-LHO-SO.

      Cantuccini com Vin Santo

      Outra harmonização que funciona, e que é fácil de achar, é o vinho tinto Red Selection (um blend das uvas Malbec, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot produzido pela Bodegas Salentein em Mendoza, Argentina) do Outback Steakhouse; vinho frutado, encorpado, potente e tânico, que chega a ser agressivo se consumido sozinho, mas que é suavizado e melhorado ao ser consumido com as carnes vermelhas suculentas e super temperadas da casa, geralmente acompanhadas de molhos ainda mais temperados, do tipo Barbecue, Chimichurri e outros.

      Mas em termos de harmonização nenhuma regra é absoluta, a combinação depende muito (e quase que totalmente) dos gostos pessoais, do grau de sensibilidade e tolerância ao sal, doçura, acidez e amargor de cada um, e quando pensamos em um vinho para combinar com uma receita, pensamos nos principais ingredientes do prato (se é a base camarão, carne vermelha ou carne branca, ou se o molho é vermelho ou banco, por exemplo), e não damos muita atenção para um ingrediente ou um tempero específico, que às vezes nem faz parte da receita, e que se aparecer em pouca ou em muita quantidade pode fazer toda a diferença, e pode prejudicar a harmonização.

      Por isso, para ser perfeita a harmonização só funciona mesmo se provarmos antes alguns vinhos e a comida, juntos. Aí não tem erro... a não ser se façam o prazo de um jeito diferente... ai ai ai... 

      Fora isso, o que temos são regras básicas que podem facilitar esse caminho, e alguns palpites.

      Para facilitar a nossa vida eu separei alguns infográficos (a maioria em Português), os que eu achei mais fáceis de "ler" e memorizar, e que vocês poderão acessar e dispor à vontade, e por em prática essa tal arte tão imprecisa de harmonização;

      Vamos a eles:

      Nós brasileiros amamos uma Pizza! No almoço, no jantar, no meio da semana ou nos fins de semana, não importa, a Pizza está sempre em nossas mesas.

      Então pra começas as dicas de harmonização deste artigo, nada melhor do que um infográfico sobre harmonização de vinho com Pizza!

      Harmonização de Pizza com vinho
      Fonte: Empório Basílico

      Agora se quiser eleger um único vinho que pode ser consumido com todas as Pizzas, de modo geral, escolha vinho italiano Montepulciano d'Abruzzo. Falei sobre ele aqui no Blog, na semana passada, no artigo VINHO MONTEPULCIANNO D'ABRUZZO (clique no link para acessar), o vinho amigo da Pizza!

      Outra grande dúvida que assola os enófilos iniciados, é que tipo de carne combina com que tipo de vinho.

      A carne branca de peixe combina com vinhos brancos mais leves e refrescantes, a carne branca de frango combina com vinho branco mais encorpado, e a carne vermelha combina com vinho tinto. Certo? Então... nem sempre... E os outros tipo de carnes?

      Os infográficos abaixo, e que devem ser interpretados em conjunto, têm as respostas a essas dúvidas:

      Harmonização de carnes de acordo com o corpo do vinho
      Fonte: Restaurante À La Carte

      Para se ter uma ideia de qual difícil e relativa é a arte de harmonização, o infográfico abaixo mostra que a escolha do vinho, se tinto ou branco, pode mudar a depender da modo de preparo do frango, por exemplo:

      Harmonização de vinho com frango de acordo com o modo de preparo do frango.
      Fonte: Notas de Sabor

      E quais são os tipos de vinhos que melhor combinam com cada tipo de queijo? O infográfico abaixo pode te ajudar.

      Harmonização de vinhos e queijos.
      Fonte: Winer.com

      Recentemente escrevi o artigo QUEIJOS E VINHOS: COMO HARMONIZAR (clique no link para acessar) aqui no Blog abordando de forma mais ampla exatamente essa questão, acho que vale a pena dar uma conferida :-). 

      E como combinar as saladas e ou legumes? Como combinar as massas com molhos brancos e com molhos vermelhos? E os sanduíches? 

      A resposta não é nada simples, requer prática e experiência. Mas para começar, deem uma olhadinha nesses outros três infográficos, vejam o que descobrem, e mãos à obra, pessoal!!! Vamos praticar e vamos acertando a harmonização dos nossos pratos prediletos com a bebida de Bacco !!!

      Fonte: Vinho e Gastronomia Vinhos

      Fonte: Sabore d'Italia

      Fonte: Guia de Vinhos Pinterest

      E neste posto era SÓ isso, pessoal. Voltamos com mais dicas de harmonização em outros artigos.

      Espero que tenham gostado e que continuem acompanhamento o Blog.

      21 de julho de 2016

      Queijos e Vinhos: como harmonizar?


      O final de semana está chegando, e o clima frio pede um vinho. Ou dois.

      E para acompanhar, que tal uma tábua de queijos variados?

      Essa combinação, de vinhos com queijos, sempre parece ser a escolha perfeita, esteja você sozinho ou acompanhado, em casa ou em um bar ou restaurante, ou, melhor ainda, cercado de amigos dispostos a compartilhar bons momentos da vida com você.

      Mas como harmonizar vinhos e queijos para extrair o que há de melhor na bebida que acompanha o alimento, e vice-versa?

      Como melhorar a experiência tanto de um como de outro? Porque harmonização é isso, a bebida combina e aprimora o alimento, que melhora e enobrece o vinho.

      Bem, a ciência da harmonização de vinhos não é nada precisa, pelo contrário, aprendemos mesmo é na prática, fazendo e errando e errando e errando até acertar.

      Mas há algumas combinações que já são, há muito, consagradas como adequadas em termos de harmonização de vinhos com queijos.

      E só seguir as dicas abaixo:

      TIPO DE QUEIJO
      VINHO BRANCO
      Blue Cheese / Queijo Azul
      (Gorgonzola, Roquefort)
      Riesling
      Brie / Camembert
      Chardonnay
      Gruyere
      Sauvignon Blanc
      Mussarela / Muçarela / Mozarella
      Sauvignon Blanc
      Ricota
      Pinot Grigio
      TIPO DE QUEIJO
      VINHO TINTO
      Gouda
      Merlot
      Cheddar branco
      Cabernet Sauvignon
      Parmesan
      Chianti

      Indo além, a forma mais eficiente de harmonizar vinhos e queijos é escolher o tipo de vinho certo de acordo com o tipo de queijo de acordo com a sua classificação: queijo fresco, fresco curado, branco mole, semimole, duro, queijo azul e temperado:

      CLASSIFICAÇÃO DOS QUEIJOS
      TIPOS DE VINHOS / UVAS
      Queijo Fresco
      (mozarela de búfala, a ricota, o mascarpone e o feta)
      Sauvignon Blanc, Albariño, Muscadet e espumantes
      Queijo Fresco Curado
      (casca fina e enrugada composta por bolores, não são comuns no Brasil: Valençay e o Clochette)
      Queijo Branco Mole
      (interior do queijo é cremoso e contido por uma fina camada de bolor branca e aveludada: Brie e Camembert)
      Espumantes; os brancos Riesling e Gewürztraminer e o tinto Pinot Noir
      Queijo Semi-mole
      (casca mole e pegajosa, mais cremosos e com leve doçura: Edam, o Asiago e o Taleggio)
      Os brancos Gewürztraminer, Riesling, Vermentino, Arneis, Grüner Veltliner e Torrontés; e os tintos leves e frutados Pinot Noir, Beaujolais, Barbera e Dolcetto.
      Queijo Duro
      (A textura é geralmente granulada e pode dar uma sensação crocante como de pequenos cristais: Parmigiano Reggiano, o Grana Padano, o Pecorino e o Cheddar maturado)
      Os tintos clássicos italianos Chianti, Brunello, Barolo e Barbaresco, e os franceses clássicos do Rhône e de Bordeaux
      Queijo Azul (Gorgonzola, Roquefort e Stilton)
      Experimente o gorgonzola com um Porto Tawny; o Roquefort com um Sauternes; e o Stilton com um Porto Vintage.
      Queijo Temperado
      (defumados até aqueles que incorporam especiarias como ervas, nozes, cravo, frutas secas etc.)
      Os tintos clássicos italianos Chianti, Brunello, Barolo e Barbaresco, e os franceses clássicos do Rhône e de Bordeaux

      Normalmente as tábuas de queijos não são compostas por um único tipo ou categoria de queijos, de modo a facilitar a harmonização com um único tipo de vinho, mas de uma gama variada engloba desde queijos brancos moles, queijos semimoles e queijos duros, incluindo embutidos e pães diversos.

      Nesse caso, a seleção dos vinhos deve recair sobre aqueles que se encontram no meio do espectro, nem tão leves e frescos, nem tão fortes e encorpados.

      Para não errar e deixar tudo mais simples, combine a sua tábua de queijos variados com dois vinhos: um branco Riesling ou Gewürztraminer, e um tinto Pinot Noir.

      Simples assim!!!

      Experimentem aproveitem!!!

      29 de junho de 2016

      Com ou sem Taxa de Rolha?


      Comprar vinhos estrangeiros no Brasil, ainda que diretamente de uma importadora, é absurdamente caro! 

      Costumamos pagar aqui cerca de R$ 500,00 a R$ 1.000,00 em um garrafa de vinho de qualidade superior, mas que nos estados Unidos da América custaria cerca de USD 30 a USD 40, e na Europa em torno disso ou o equivalente em Euros.

      E os vinhos nacionais também não são nada baratos. 


      Diferente do que acontece em outros países, 
      a exemplo da França com o Vin de Table ou atualmente Vin de France; da Itália com o Vino da Tavola; ou em Portugal com o Vinho de Mesa, é possível adquirir vinhos econômicos que custam entre 3 a 5 Euros (menos de vinte rais), e também no Chile encontram-se vinhos no Supermercado de 3000 a 4000 pesos chilenos (menos de vinte reais), aqui no Brasil, lamentavelmente, os preços dos vinhos mais básicos feitos com uvas viníferas custam muito, mas muito mais caro. 

      Não bastasse isso, ao chegarmos nos bares e restaurantes nos deparamos com vinhos que chegam a custar 5, 6, 7 e até 10 vezes mais o valor do produto na importadora ou no comércio.

      Por conta desse disparate, vem crescendo o número de clientes que preferem comprar os seus próprios vinhos diretamente da importadora ou da loja de sua escolha, e levá-los de casa aos bares e restaurantes para degustá-los lá, no estabelecimento, acompanhando o prato ou o aperitivo que desejar.

      E essa é, na verdade, uma tendência mundial, e que virou moda na Europa a partir do início dos anos 2000 com a popularização da prática do BYOB (Bring Your Own Bottle), sigla criada nos Estados Unidos da América e que significa “Traga Sua Própria Bebida" em Português.



      Por lá, os bares e restaurantes permitem e até incentivam cada vez mais que os seus clientes tragam suas próprias bebidas de casa cobrando uma pequena taxa pelo serviço, e que aqui no Brasil se chama "Taxa de Rolha".

      O assunto é bastante controverso, pois para servir ao cliente o vinho que ele trouxe de casa o estabelecimento disponibiliza seus garçons, maitrês ou sommeliers, além de disponibilizar o uso de suas taças, guardanapos, decânteres e até balde de água com gelo para servir os vinhos espumantes, brancos e rosés na temperatura ideal.

      Se levarmos tudo isso em consideração, a cobrança da "Taxa de Rolha" não é indevida, não.


      O problema é ter de pagar caro, muito caro, por isso. 


      E eu, particularmente, interpreto os valores altos da "Taxa de Rolha" como uma mensagem clara do estabelecimento de que O MEU VINHO NÃO É BEM VINDO ALI.

      O que fazer então?

      Como escapar dos preços exorbitantes das garrafas de vinhos nos restaurantes? 

      E como escapar das caras "Taxa de Rolha" cobradas por alguns estabelecimentos, e que querem desincentivá-lo a levar seu próprio vinho de casa?


      Bem, por meio de alguns clubes de vinhos como o SOCIEDADE DA MESA, e de algumas escolas de formação de Sommeliers a exemplo da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SOMMELIERS - SP, é possível obter isenção total do pagamento da "Taxa de Rolha" em uma série de bares e restaurantes espalhados pela cidade, e eu dou preferência absoluta a esses estabelecimentos.

      Também lanço mão do aplicativo "Taxa de Rolha" para celulares (www.taxaderolha.com.br), pelo qual é possível encontrar, de acordo com a sua localização, bares e restaurantes que cobram e que não cobram a "Taxa de Rolha", e saber os valores que estão sendo cobrados por cada qual, a fim de ajudá-lo na escolha:




      Use e abuse desse aplicativo e leve seus vinhos aos bares e restaurantes que escolher, sabendo e concordando, de antemão, se vai pagar a "Taxa de Rolha", e o quanto vai pagar por isso.

      Contudo, sugiro antes seguir alguns protocolos básicos (ou regras de etiquetas) para esse tipo de situação:

      • sempre ligue no estabelecimento confirmando se há ou não há a cobrança da "Taxa de Rolha" para evitar surpresas desagradáveis; 
      • confirme se há cobrança para dois ou mais vinhos ou somente para a primeira garrafa; 
      • informe os vinhos que pretende levar para se certificar de que a casa não possui aquele mesmo vinho em sua Carta (o estabelecimento pode se negar a deixar você consumir o vinho que levou de casa se tiver o mesmo vinho à venda no local); 
      • reserve uma mesa, leve os seus vinhos, seja e sinta-se muito bem-vindo.