25 de maio de 2016

A CLASSIFICAÇÃO DOS VINHOS FRANCESES


Atualmente os vinhos franceses são classificados do mais simples para o de melhor qualidade em Vin de France (vinho sem identificação geográfica da região de produção), Indication Géographique Protégée (IGP) (vinho com identificação geográfica) e a mais alta classificação, Apellation d'Origine Protégée (AOP).

Esse sistema foi introduzido no ano de 2012 para simplificar e padronizar o sistema de classificação em toda a União Europeia, em uma tentativa de substituição ao sistema com o qual lidamos e estamos habituados até hoje: Vin de Table; Vin de Pays ou regionais; Vin Délimité de Qualité Superiore e Appellation d'Origine Contrôlée.


Vamos a elas:

VIN DE TABLE: Representa cerca de 22% de toda a produção de vinhos no país, e não há regras para a sua produção.

Pode ser produzido com qualquer tipo de uva, cultivadas em qualquer região, com utilização da quaisquer meios de produção.

A única exigência é que no rótulo frontal das garrafas desse tipo de vinho, não pode haver menção nem do tipo (cepa,  casta) da uva, nem da safra, e nem da região em que foi produzido,  pois isso afronta as regras e regulamentos de appellation  contrôlée.

São os vinhos mais baratos consumidos no dia a dia, e que são encontrados na maioria dos estabelecimentos comerciais e restaurantes da França.


Não confundir com o vinho de mesa brasileiro. Para entender a diferença leia o post O VINHO FINO E O VINHO DE MESA NO BRASIL.

VIN DE PAYS: um nível acima, abrange cerca de 150 appellations vin de pays, classificação introduzida no ano de 1973 para promover vinhos regionais e para garantir vinhos decentes de maior qualidade para o consumo diário.

Os rótulos frontais das garrafas com essa classificação podem indicar o tipo ou os tipos de uva, o que não é permitido nos vins de table e no vins de appellation contrôllée, e também podem indicar o ano da safra e a região de procedência, o que não é permitido nos vins de table.

A curiosidade em relação a essa classificação, é o fato de que os melhores vins de pays hoje em dia chegam a ser mais caros que os vins de appellation contrôlée.

VDQS (Vin Délimité de Qualité Superiore): representa menos de 2% da produção nacional, e foi oficialmente dada por extinta há alguns anos.

Aparentemente os vinhos de preço baixo dessa classificação não são bons o bastante para serem promovidos à appellation contrôlée, tampouco interessam às autoridades que controlam a classificação dos vins de pays.

APPELLATION D'ORIGINE CONTRÔLÉE (AOC): nesta categoria entram os vinhos de designação de origem controlada, e que pressupõe se tratarem de vinhos de qualidade superior em relação às classificações anteriores. 

Existem legislações específicas e um controle rigoroso do Governo e de Comissões não governamentais sobre os vinhos AOC, que só podem ser produzidos seguindo-se as regulamentações específicas de cada região: área de cultivo predeterminada, cultivo das castas permitidas, métodos de cultivo e de produção, estágio e tempo de estágio do vinho em  barrica e em garrafa antes da comercialização, devem refletir as características singulares típicas de cada região, e por aí vai.

Sobre as castas das uvas que podem ser cultivadas em cada região, citaremos algumas a título de curiosidade: 

  • Em Borgonha são cultivadas exclusivamente a uva tinta Pinot Noir e as uvas brancas Chardonnay e Aligoté (esta bem pouco conhecida e pouco explorada, borgonhas brancos com esta uva só são encontrados lá mesmo, na própria Borgonha).
  • Em Chablis, sub-região da Borgonha situada ao Norte, cultiva-se a uva branca Chardonnay, e que produz o famoso vinho que leva o nome da região. 
  • E em Beaujolais, região ao sul da Borgonha, cultiva-se somente a uva tinta Gamay, que também produz o vinho que leva o nome da região.
  • Em Bordeaux é permitido o cultivo de apenas algumas uvas tintas, dentre as quais destacam-se Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc (que juntas formam o famoso "corte bordalês"), Malbec e Petit Verdot; e uma pequena variedade de algumas uvas brancas: Sauvignon Blanc, Sémillon, Muscadelle e Ugni Blanc.
  • Em Champagne as principais uvas cultivadas são as tintas Pinot Noir e Pinot Meunier, e a branca Chardonnay. As outras uvas cultivadas em Champagne (Arbanne, Petit Meslier, Pinot Blanc e Pinot Grigio) representam menos de 0,3% e são pouco expressivas naquela região.

Seria simples, se não fosse complicado.

A polêmica em relação aos vinhos AOC franceses é que essa designação foi concedida por lei há dezenas de décadas, e o produtor que seguir as regras para a produção do seu vinho não perderá essa classificação, ainda que venha a produzir vinhos de qualidade inferior. 

Isso significa, então, que nem todo vinho francês AOC é necessariamente um vinho de qualidade superior. Deveria ser, mas nem sempre é.

Ainda tem mais:

Essas regiões e outras tantas, consideradas as mais importantes na produção de vinhos na França, não contêm em seus rótulos a expressão AOC, constando apenas o nome da região ou da sub-região de cultivo e produção.

Além de tudo isso, em Borgonha e Bordeaux os vinhos ainda são classificados em genéricos ou em "Crus".

Em 
BORDEAUX, os vinhos classificam-se em "Premier Cru", como resultado da Classificação de 1855, quando Napoleão III organizou o Julgamento de Paris, evento que classificou os melhores vinhos existentes à época; em "Grand Cru Classé", como resultado da Classificação dos vinhos da região de Graves em 1953; e em "Grand Cru", "Grand Cru Classé" e "Premier Grand Cru Classé", do mais simples para o melhor, como resultado da classificação dos vinhos da região de Saint-Émilion em 1954.



E ainda temos simplesmente o vinho "Bordeaux" e o "Bordeaux Superior", vinhos genéricos que refletem bem as características peculiares do terroir da região. E a expressão "Superior" nesses rótulos, ao contrário do que possa parecer, não indica que o vinho teria qualidade superior, não, indica apenas que o nível de álcool é relativa e/ou ligeiramente superior.

Já em BOURGOGNE os vinhos levam as classificações regionais genéricas "Bourgogne", "Bourgogne Grand Ordinaire", "Bourgogne Passe-ToutGranis" etc; classificações comuanias atribuídas a vinhos provenientes de comunas (distritos ou municípios); "Premier Cru", AOC atribuída a vinhos de excelente qualidade; e "Grand Cru", atribuição exclusiva de 33 vinhos de qualidade excepcional, sendo 32 produzidos no Côte d"Or (Romanée Conti é um dos Grand Crus da Borgonha) e 01 em Chablis.


Diferenças sutis que confundem os menos entendidos e evidenciam a rivalidade secular existente entre essas duas poderosíssimas regiões vitivinicultoras.




Esse sistema é complicado, mesmo, mas aos poucos a gente vai estudando, vai entendendo e descomplicando!

Blend

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BLEND: palavra de origem inglesa (a mixture of different things or qualities of things), e que traduzida para o Português significa "mistura". 

No mundo dos vinhos esse termo é sinônimo de "coupage" ou "corte", e também quer dizer que um vinho foi produzido com diferentes tipos de uvas.

Os vinhos de Bordeaux são todos vinhos de corte, Coupage ou Blended, sendo que os tintos, em sua grande maioria, são elaborados a partir da mistura das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc em diferentes proporções. Esse corte é chamado de "corte bordalês", é bastante tradicional e é reproduzido no mundo todo.  

Esse termo também é utilizado para definir o tipo de Whisky, que pode ser um "Blended" de cereais maltados misturados com grãos cereais não maltados, ou um "Single Malt", elaborado a partir de um único cereal maltado.




24 de maio de 2016

Coupage

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COUPAGE: palavra de origem francesa (action de couper. Le coupage du vin), e que traduzida para o Português significa "corte".

Quando usado esse termo, quer-se dizer que um vinho foi produzido com diferentes tipos de uvas. 

Os vinhos de corte de uvas mais famosos do mundo são os produzidos na região de Bordeaux, na França, feitos a partir da mistura das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc em diferentes proporções, o chamado corte bordalês clássico.




Assemblage

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ASSEMBLAGE: palavra de origem francesa (action de réunir des éléments pour composer un tout), e que traduzida para o Português significa "montagem". 

Quando esse termo é  utilizado, quer-se dizer que o vinho é produto da união de dois diferentes tipos de vinhos, que são produzidos separadamente, e depois de prontos são misturados para formar um novo vinho.

Os melhores exemplos de vinhos assemblage são os Champagnes, feitos em sua grande maioria da mistura de diferentes vinhos-base produzidos separadamente por tipo de uva e produtor ou até mesmo de vinhos de safras diferentes, a fim de sempre se obter um produto final com as características próprias do vinho da Maison.





22 de maio de 2016

Red Selection do Outback Steakhouse, Bodegas Salentein

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Provei no almoço de Domingo o Red Selection do Outback Steakhouse e achei que a escolha da casa foi mesmo perfeita para harmonizar com as diversas opções de carnes suculentas e bem temperadas do Menu.

Um Blend das castas Malbec, Cabernet Sauvigon e Petit Verdot que resultou em um vinho tinto encorpado e potente, produzido pela Bodegas Salentein, na região de Mendoza, Argentina.

Boa pedida e vale o preço de R$ 71,00 a garrafa.