26 de setembro de 2016

Cava: o icônimo espumante espanhol

Cava é o vinho espumante ícone da Espanha, elaborado a partir do "Método Tradicional" ("Traditional Method", "Traditionnelle Méthode"), pelo qual a segunda fermentação, a partir de adição de açúcares e leveduras selecionadas, ocorre em garrafa.

É o mesmo método utilizado para a elaboração do Champagne (e que por lá se chama "Método Champenoise"), e foi a resposta da Península Ibérica para o espumante francês.

Fonte: Wine Seacher

Esse espumante foi produzido pela primeira vez na Espanha na década de 1870, por Josep Raventós, no seu regresso à Catalunha depois de uma visita à França, e por ser uma tentativa clara de imitação do espumante francês, durante o primeiro século de sua existência os espumantes espanhóis foram chamados de Champaña (também Champan e Xampany).

Em 1970 as autoridades de Champagne apertaram o cerco contra o uso e abuso da denominação "Champagne", e, apoiadas por leis internacionais, tornaram necessária a criação de um outro nome para o espumante espanhol.

Foi escolhido, então, o nome Cava, que não vem de um lugar, de uma casta ou de uma técnica de vinificação, mas a partir das caves de pedra (cavernas, cavas) nas quais o vinho é envelhecido durante a segunda fermentação.

E naquele mesmo ano de 1970 o título oficial DO Cava (Denominação de Origem) foi introduzido para cobrir exclusivamente os vinhos espumantes brancos e rosados.

Níveis de rendimento máximo de 1HL de mosto por 150 kg de uvas, teor alcoólica entre 10,8 e 12,8 por cento, pressão atmosférica mínimo de quatro Atms e um mínimo de nove meses de estágio sobre as borras são requisitos para os vinhos obterem a denominação DO Cava.

Desde então o Cava ganhou fama e respeito no mundo do vinho e é agora uma marca de espumante internacionalmente reconhecida.

Fonte: Wine Searcher

O Cava é feito a partir de um Blend das castas Macabeo (escrito frequentemente Macabeu), Xarel-lo e Parellada. Em 1986 a Chardonnay foi autorizada oficialmente na mistura, sinalizando a intenção da Espanha de se mover com os tempos e competir com os outros vinhos espumantes da Europa. A uva branca Malvasia e as tintas Pinot Noir, Garnacha, Monastrell e Trepat são outras adições recentes à lista de variedades de uva permitidas na produção do Cava, embora esta última só seja permitida na produção do Cava Rosé.


É classificado de acordo com o nível de doçura, na seguinte ordem:
  • Brut Nature: contém 0-3 gramas por litro de açúcares residuais, sem adição de açúcar à bebida.
  • Extra Brut: Contém 0-6 gramas por litro de açúcar residual
  • Brut: Contém 0-12 gramas por litro de açúcar residual
  • Extra Seco ou Extra Dry: Contém 12-17 gramas por litro de açúcar residual
  • Seco ou Dry: Contém 17-32 gramas por litro de açúcares residuais
  • Semi-Seco ou Demi-Sec: contém 32-50 gramas por litro de açúcar residual
  • Dulce (Sweet): Contém mais de 50 gramas por litro de açúcar residual

Enquanto o Cava original era produzido exclusivamente na Catalunha, especificamente em uma pequena cidade chamada San Sadurní de Noya, atualmente o Cava pode ser produzido em várias partes da Espanha: Aragão, Navarra, La Rioja, País Basco, Valência e Extremadura, que têm áreas demarcadas específicas para a produção desse espumante, embora menos de 10% da bebida venha dessas regiões.

Cavas de boa qualidade são conhecidos por suas características autolíticas bem integradas de pão, creme e sabores de nozes (amêndoa) secundários. Vinhos com maior teor de Pinot Noir podem mostrar mais sabores de cereja, enquanto misturas tradicionais exibem maçã verde, pêssego e até mesmo notas terrosas.

Harmonizam muito bem com camarões grelhados, carne de porco preparada na hora, ostras e salmão.

25 de setembro de 2016

Cava Jaume Serra Cristalino Semi-Seco

Olá, 
Obrigada por visitar o Blog Tudo de Vinho e seja bem-vindo.
Em outubro de 2016 eu fiz a migração do conteúdo do Blog para outra plataforma, com novo layout e identidade visual.
Para ter acesso ao conteúdo completo e principalmente aos novos artigos, acesse www.tudodevinho.com
Obrigada e espero você por lá :-)
Cris Spinola Faria
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Os Cavas são famosos espumantes espanhóis elaborados pelo método tradicional, no qual a segunda fermentação (a partir da adição de açúcares e leveduras selecionadas) ocorre dentro do garrafa, e que, por lei, devem ser envelhecidos por um mínimo de nove meses sobre as borras antes do lançamento.

O método tradicional é o mesmo utilizado na região de Champagne, para fazer os melhores e mais celebrados espumantes do mundo, e que por lá se chama "Método Champenoise". É largamente utilizado mundo afora, inclusive para a produção de diversos espumantes nacionais, sempre com a menção "Método Tradicional" ou "Traditional Method" no rótulo.

Os Cavas são bem fáceis de se achar aqui no Brasil, principalmente porque são espumantes gostosos, de boa qualidade, e a preços acessíveis.

Eu, particularmente, gosto bastante.

E o rótulo deste post é um Cava Semi-Seco elaborado pela Bodegas Jaume Serra, localizada em Vilanova i La Geltrú (Barcelona), região da Cataluña, comprada em 1997 pela família Garcia Carrión, que incorporou o Cava ao restante de suas Denominaciones de Origen (D.O.). 

Estava delicioso. Provei em um dia e no dia seguinte já saí pra comprar outra garrafa.

Elaborado com as uvas Parellada, Macabeo e Xerel-lo (o chamado "Cava Blend"), de coloração amarelo palha com reflexos esverdeados, com bolhas pequenas abundantes e desprendimento regular, na vertical. Boa intensidade aromática, com notas complexas de frutas (melão e pêssego) e discreto floral. Muito gostoso em boca, equilibrado, sedoso, macio, agradável retrogosto e final persistente.

À venda na Wine.com por USD 8.99, e à venda no Brasil na Empório Mercantil.com.br por R$ 49,00; na Wine Brazil.com.br por R$ 62,00, e na Bebida Online.com.br por R$ 67,90.

Dessa mesma bodega, o Cava Jaume Serra Brut recebeu os prêmios "International Wine and Spirit Competition 2010", medalha de bronze; "Berliner Wein Trophy 2012", medalha de prata; e "International Wine and Spirit Competition 2012", medalha de prata. Será o próximo Cava que eu irei provar.

E atenção, pessoal, fica a dica: 

É O Cava, O Prosecco e O Champagne se estiver se referindo à bebida, ao espumante. Dizer A  Cava, A Prosecco e A Champagne só vale se estiver falando das regiões produtoras ou denominações de origem, e que dão os seus nomes aos seus espumantes. Agora que você já sabe, não precisa errar mais :-)

23 de setembro de 2016

Top 10 países no consumo de Vinho Tinto


Encerrando a série de artigos sobre o mundo do vinho em números, falemos agora dos países que são os maiores consumidores de VINHO TINTO. 

Nesse particular, no gráfico abaixo vemos estimativas em projeção para o ano de 2017, aparecendo a China (incluindo Hong Kong) como o maior consumidor em volume, respondendo sozinha pelo consumo de 206.97 milhões de 9L por ano, apresentando um crescimento impressionante de 33.17% em relação ao ano de 2013!



Fonte: South China Morning Post

Na segunda posição desse ranking de consumo de vinho tinto vêm os Estados Unidos da América, respondendo pelo consumo de 158 milhões de 9L, com um significativo crescimento de 13,66%; seguida então pela França, com 137.91 milhões de 9L; pela Itália, com 130.76 milhões de 9L; e pela Alemanha, com 113.32 milhões de 9L:

A nossa vizinha Argentina vem na sexta posição, respondendo pelo consumo de 69,5 milhões de 9L de vinho tinto por ano. 

Nada mau de novo, Hermanos!

E o Chile também não aparece nessa estatística, o que nos leva a deduzir que aquele país na verdade pode consumir menos vinho tinto que o Brasil, que aqui aparece na décima posição.
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Por fim, achei interessante registrar que a China não vem crescendo apenas na quantidade de vinho consumido anualmente, mas, a ritmo galopante, vem crescendo em termos de consumo de vinhos caros. 

Isso mesmo, a China já desponta na segunda posição no ranking de país consumidor de vinhos de alto valor comercial, realizando inclusive diversos leilões presenciais e virtuais para aquisição de vinhos raros e caríssimos, e que são inacessíveis para a maioria de nós, pobres mortais.

Dá-lhe China!

22 de setembro de 2016

Crios Torrontés 2014, da Enóloga Susana Balbo


Vocês conhecem a uva Torrontés?

É uma variedade de uva branca aromática de origem espanhola, da região Galiza, também é cultivada na Argentina, Portugal e Bulgária, muito semelhante à Moscatel, e que produz vinhos leves e frutados.

A par dessa informação, há quem defenda que essa casta surgiu mesmo foi em solo argentino, a partir do cruzamento natural entre as uvas Moscatel e Criolla, e que seria, portanto, uma uva autóctone Argentina.

O fato é que hoje essa uva é praticamente exclusiva da Argentina, onde é cultivada na maioria das regiões vitivinícolas, com maior destaque no Norte do país. 

Outro fato interessante, é que na Argentina há a Torrontés Riojano, de maior qualidade; e a Torrontés Sanjuanino e Torrontés Mendocino, de menor qualidade.

Os vinhos produzidos com essa uva são muito aromáticos, carregados de aromas frutais e florais, e que também podem apresentar notas de ervas e de especiarias. Em boca são vinhos frutados, leves e refrescantes, com acidez elevada, que geralmente não passam por madeira, e devem ser consumidos jovens.

E esse rótulo do produtor Domínio Del Plata, da enóloga Susana Balbo, não foge às características da Torrontés.

Vinho premiado, recebeu medalha de prata no San Francisco International Wine Competition 2014.

Apresenta coloração amarelo palha com reflexos esverdeados, aromas de frutas cítricas, frutas brancas e florais, com boa acidez, leve e refrescante.

Deve ser servido a uma temperatura mais baixa, cerca de 8°C a 9°C, o que o torno o vinho perfeito para ser consumido nos dias mais quentes.

Comprado na Evino.com.br por R$ 47,00.

21 de setembro de 2016

Viagem Enogastronômica pela Itália Central

Já foi para Itália e quer ir de novo? 

Está de malas prontas indo pela primeira vez? 

Ou ainda está só sonhando em poder ir algum dia?

Então junte-se a nós nessa viagem pelas delícias da culinária regionalizada e dos vinhos da Itália Central, que abrange as regiões da Toscana, Umbria, Abruzio, Marche e Lazio: 


Como eu já havia dito no artigo que inaugurou esta série, Viagem Enogastronômica pelo Norte da Itália, por lá é tudo muito regionalizado, e o que é produzido e consumido em uma região não é visto em outra.

Vale a pena, então, conhecer os vinhos e os práticos típicos de cada região, a fim de bem aproveitar  o que a Itália Central tem de melhor a oferecer.

TOSCANA:

Toscana!!! Ahhhhhhhh, Toscana!!!  

Temas de tantos filmes, que inspira romances e romancistas. É lá que fica a linda e aconchegante Florença, berço do Renascimento, cidade natal de Dante Alighieri, com a sua Ponte Vechio, seu Castelo Vechio e os seus muitos Museus. Cenário de obras renascentistas de Michelangelo, Leonardo da Vinci. Giotto Botticelli, Rafael Sanzio, Donatello e outros tantos...

E ainda tem Pisa, e tem Siena... 

Essa região é a terra dos venerados vinhos Brunellos de Montalcino DOCG e dos deliciosos Chiantis Classicos (aqueles com o selo do "galo nero" na garrafa):


É a terra dos elegantes e sofisticados vinhos Bolgheri (os "Super Toscanos", os "vinhos fora da lei"), que evoluem com grande complexidade, feitos principalmente com uvas francesas, com preço elevado e disponibilidade limitada (Sassicaia, Ornelaia e outros "aias", Guado ao Tasso, Grattamaco):


E é lá que nos deliciamos com o Vin Santo, vinho doce feito com uvas passificadas simplesmente delicioso, inigualável, e que por lá é consumido com os biscoitos "Cantucci", super secos e amendoados. Nem tente comer um "Cantucci" sem molhar no Vin Santo. Ou em uma taça de vinho quente, daquele que a gente compra nas feirinhas locais... eu fiz isso e adorei :-)



Não sabe que vinhos provar e comprar? Prove todos. Compre todos. 

Toscana é a terra da culinária sóbria, sem exageros, genuína e refinada, baseada em peixes e frutos do mar, carne, ovo, legumes, castanhas, cogumelos e batatas, e também à base de pão rigorosamente sem sal. 

É a terra da famosa Bisteca alla Fiorentina, servida mal passada mesmo (não tente mudar isso), deliciosa, de dar água na boca:


É onde se come Acquacotta, Cacciuco alla Livornese, Trippa alla Fiorentina e Papa al Pomodoro:


Onde se comem as sobremesas Ricciareli di Siena e Panforte di Siena:


UMBRIA:

Umbria é a terra de pratos simples e naturais, feitos com produtos da estação cozidos no vapor ou assados, aromatizados com azeite de oliva extra-virgem, com destaque para a Trufa Negra de Norcia, as batatas, os queijos e a lentilha di Castellucio di Norcia e dos saborosos embutidos de Norcia.

Onde se comem as massas Pasta alla Norcina (foto abaixo) e Umbricelli in Salsa Trasimeno:


ABRUZZO:

Terra dos vinhos Montepulciano d'Abruzzo DOCG. Os melhores vinhos têm cor intensa, fruta deliciosa, boa acidez, taninos maduros e firmes. Qualidade variável, mas sempre com boa relação entre preço e qualidade. O Colline Teramane é considerado o rótulo de melhor qualidade dessa denominação.

É a região onde fazem as famosas massas Maccheroni alla Chitarra:



E finalmente, MARCHE:

Região de cozinha tipicamente refinada e elaborada, com predominância de peixes e frutos do mar no espeto e sopa na zona costeira, e carne de porco e de javali, com a qual se faz o prosciutto e a porchetta, na zona interior. É a terra da Azeitona Ascolane, azeitona frita típica de Ascoli Piceno.

E repito aqui o melhor conselho que eu já recebi, e que eu acho que posso passar adiante: prove os pratos típicos de cada região com os vinhos locais. Essa combinação não vai ter erro. E na Itália, como os italianos: seja tradicional e prove os Vinos di Tavola nos restaurantes.

Por ora é só, e no próximo artigo viajaremos pelo Sul da Itália e seus cenários paradisíacos.

Não perca!!!