13 de setembro de 2016

A produção mundial de vinho em números


Estamos acostumados a ouvir e a concordar por aqui que os franceses, italianos e espanhois na Europa, e os chilenos e argentinos na América do Sul, são grandes produtores e consumidores de vinho no mundo.

O que não sabemos, é o quanto a produção e o consumo desses países de forte tradição na VITIVINICULTURA[1] representam no cenário mundial.

E desconhecemos também a relevância de países produtores e grande consumidores de vinho que estão fora desse circuito, a exemplo dos Estados Unidos da América, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

Pois bem! 

Fiz algumas pesquisas, e vamos aos gráficos e números:

Antes de falarmos da produção de vinho especificamente, falemos do cultivo das UVAS VINÍFERAS[2] utilizadas na produção dessa bebida.

No ano de 2015 foram cultivadas nada mais nada menos que 222.000 toneladas de uvas viníferas no mundo todo.

Dentre as uvas tintas destacam-se o cultivo de 47.400 toneladas da uva Cabernet Sauvignon e 35.200 toneladas da uva Merlot.

E dentre as uvas brancas destacam-se a produção de 44.100 toneladas da uva Riesling (essa eu não sabia...) e 42.000 toneladas da uva Chardonnay:


É muita uva vinífera!

Não entrou nessa conta o cultivo de uvas não viníferas, também chamadas de uvas americanas ou uvas de mesa, cultivadas e destinadas para o nosso consumo como fruta e suco de uva.

Indo agora ao que interessa:

Quanto à produção de vinho, estima-se que no ano de 2015 tenha sido produzido cerca de 275.7 Mhl (275.7 milhões de hectolitros, e que corresponde a 275.700.000.000 de litros) de vinho como produto final, em seus variados tipos (vinhos tintos, brancos, rosés, espumantes, frisantes e fortificados).



É muito vinho!

De acordo com as estatísticas do ano de 2012, os países da Europa (países do Velho Mundo) responderam por 66,5% de todo o vinho produzido no Globo.

Já os países da América do Norte (Estados Unidos, México e Canadá) produziram 19%, e os países da Ásia, da Oceania e da África produziram cerca de 5% cada (países do Novo Mundo).

A produção de vinho na América do Sul não foi levada em consideração naquela pesquisa:


Fonte: Opera Wine


Falando agora em produção de vinhos por países, dados estimados recentes, do ano de 2015 revelam que os três países mencionados no comecinho do texto
 lideram com folga o ranking da produção mundial de vinho, aparecendo a Itália na primeira posição, seguida da França, da Espanha e dos Estados Unidos (quem diria?), que vem na quarta posição:


Fonte: Italian Wine Central

O “International Organization of Vine and Wine (OIV)” estima que em 2015 a produção de vinho na Itália teria sido de 48.9 Mhl, ultrapassando a produção da França, que teria sido de 47.4 Mhl.


Olha só os italianos comemorando essa grande conquista:



Com isso a Itália retorna ao topo do ranking como o maior país produtor mundial de vinho, posição esta que no ano anterior, em 2014, foi ocupado pela França, que respondeu pela produção de 46.6 Mhl de vinho, seguida então da Itália como 44.7 Mhl, da Espanha com 41.6 Mhl, dos Estados Unidos da América com 22.3 Mhl e da Argentina, na quinta posição, com 15.1 Mhl:

Dados de 2014 divulgados pela Statista Charts, sem acesso gratuito pela internet.

Esses dados são confirmados por esta outra estatística, também da “International Organization of Vine and Wine (OIV)” e relativa ao ano de 2014, onde aparece a França como a maior produtora mundial de vinho, com 46 Mhl, vindo em segundo lugar a Itália, com 44.4 Mhl.


A Argentina aparece novamente na quinta posição, com 15.2 Mhl de vinho produzido, enquanto o Chile aparece na nona posição, com 10 Mhl:

 O.I.V.2014 2014 wine production in the 10 main producing countries Wine production
Fonte: Slide Share 

Nada mau, Hermanos!


Indo mais além na nossa pesquisa, no ano de 2012 a França também era o país número um em se tratando de produção de vinho em escala mundial, seguida da Itália, da Espanha e dos Estados Unidos da Am´ria (até aqui, tudo igual a 2014), aparecendo então a China na quinta posição, seguida de perto pela Austrália.

A nossa vizinha Argentina havia ficado de fora do rol dos 6 maiores produtores mundiais de vinho naquele ano:

Fonte: BKWine Magazine 

E nesse outro gráfico do ano de 2012, a nossa vizinha Argentina aparece na oitava posição no ranking:

Fonte: BKWine Magazine 

Enfim, todos os dados coletados apontam, efetivamente, para a França, Itália e Espanha como os maiores países produtores de vinho em escala mundial.

Mas o cenário não é engessado, e nos diferentes anos os países se alternam produzindo muito mais ou muito menos vinho que nos anos anteriores, ou produzindo mais ou menos em relação aos demais países.

E encerrando o tópico sobre produção e a título de curiosidade, dados de 2014 (não achei nada mais recente, infelizmente) demonstram que de todo o vinho produzido no mundo, 47% da produção é de vinhos tintos; 32% da produção é de vinhos brancos; 8% da produção é de vinhos rosés; 7% é de vinhos espumantes; 0,15% é de conhaque; e apenas 0,01% é de vinhos fortificados e de sobremesa (vinho do Porto, Jerez, Madeira, Vin Santo, Sauternes, Late Haverst, Ice Wines etc).




Já era mesmo de se esperar que a maior parte da produção de vinhos em escala mundial fosse mesmo de vinhos tintos, seguida de vinhos brancos, rosés e espumantes, pois é o que de fato mais se consume em todo o mundo, à exceção dos alemães, maiores produtores e apreciadores de vinhos brancos.

São muitos números, muitos gráficos e muita informação, não é mesmo?

Eu também acho! E por isso mesmo resolvi registrar essa compilação de dados aqui, e compartilhar com vocês.
[1] VITINICULTURA: atividade que envolve o cultivo das vinhas e o fabrico de vinho e exploração econômica de tais atividades.
[2] UVAS VINÍFERAS: Vitis vinifera é a espécie de videita (Vitis sp.) cultivada para a produção do vinho. Originária da Região do Mediterrâneo até o sul da Alemanha, a Vitis vinifera é cultivada em todas as regiões de clima temperado, fazendo da produção de vinho uma das atividades mais antigas da civilização, desde o período neolítico.
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12 de setembro de 2016

Cadet d'Oc Syrah 2014 Baron Philippe de Rothschild


Delicioso vinho produzido pela consagrada família bordalesa Baron Philippe de Rothschild, este Syrah da linha Cadet d'Oc expressa perfeitamente bem as características da uca e do terroir de Pays d'Oc IGP, na região de Languidoc-Roussilan.

Talvez não exista um enófilo sequer que não tenha ouvido falar da dinastia Rothschild, Este nome tem sido um símbolo de poder incontestado, riqueza e poder na França. 

A vinícola Baron Philippe de Rothschild é uma das mais famosas do mundo, um verdadeiro símbolo de Bordeaux. 

Os prestigiados vinhos Philippe Rothschild estão incluídos na categoria de prestígio Premier Grande Cru de Bordeaux, categoria que foi fundada pelo próprio Barão, que depois de muita luta alcançou o seu reconhecimento e a assinatura do Decreto que conferiu essa classificação ao vinhos do Château Mouton Rothschild.

O Baron Philippe Rothschild era um verdadeiro revolucionário na produção de vinho. Foi o primeiro a perceber a necessidade de produção e engarrafamento de vinho diretamente na propriedade para garantia de melhor qualidade, construindo a "Big Warehouse", com  100 metros de comprimento, e que atrai a admiração de todos os turistas e visitantes da propriedade Rothschild. 

Não por menos, os vinhos Rothschild estão entre os melhores e mais caros vinhos do mundo, a receber a nota máxima dos críticos, especialistas e agências de rankings internacionais.

Os vinhos econômicos da linha "Cadet d'Oc" de Baron Philippe de Rothschild são projetados para revelar as características varietais da casta e do terroir de Languedoc-Roussillon, em combinação com uma longa tradição de viticultura e enologia.

E os vinhos Cadet d'Oc Syrah têm aromas de fruta fresca, força e suavidade no sabor

Após a fermentação tradicional o vinho é envelhecido em barricas de carvalho francês.

De cor rubi escuro com reflexos púrpura, aroma dominado por notas de ameixas e cerejas maduras, entrelaçada com notas de especiarias, cânfora e pimenta. Nuances sutis de algodão doce deixa uma agradável sensação de doçura. Na boca, tem boa acidez e tons ricos de fruta suculenta, taninos macios marcados com notas de pimenta no final curto e seco.

Harmoniza com medalhões de carne, costeletas de porco, panquecas, lasanhas, frito e recheado com legumes, queijo duro.

Comprado na Wine.com por menos de R$ 60,00;

Quel grand honneur!!!


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11 de setembro de 2016

Marsala Superiore Riserva Oro DOP


Seguindo na minha busca por "boa litragem", provei esse delicioso vinho fortificado Marsala doce do produtor Cantine Pellegrino, da Província de Trapani, na região de Marsala, pertencente à Sicília, na Itália.

Para saber mais sobre esse tipo de vinho, leia o artigo MARSALA: o exuberante vinho fortificado italiano.

Vinho elaborado com as uvas Grillo e Catarratto, a fermentação ocorre a uma temperatura controlada de 18° C a 20° C, e é interrompida com a adição de aguardente velha, permanecendo  por pelo menos mais cinco anos em tonéis de carvalho, e depois é envelhecido por mais 4 anos em tonéis de carvalho da Eslovênia, e pelo menos mais 6 meses em barris de carvalho.

Um vinho que leva quase 10 anos para ser produzido.

De coloração dourada (daí o nome "Oro") com reflexos âmbar, com aromas complexos de frutas cristalizadas, damascos e figos secos, laranja, baunilha e mel. De sabor doce, quente, cheio e final persistente.

"Vinho de meditação" (para ser apreciado sozinho) ou "vinho aperitivo" (para ser servido antes ou entre as refeições), harmoniza muito bem com bolos de frutas, queijos duros e picantes.

Literalmente, é um "néctar dos Deuses", para ser apreciado aos pouquinhos e lentamente.

À venda na Wine.com por R$ 99,00.

SONETO DEL VINO (SONETO DO VINHO)


Domingo é dia de provarmos um bom vinho.
E como vinho é pura poesia, compartilho com vocês este lindo soneto:


SONETO DEL VINO
Jorge Luis Borges

¿En qué reino, en qué siglo, bajo qué silenciosa 
Conjunción de los astros, en qué secreto día 
Que el mármol no há salvado, surgió la valerosa 
Y singular ideia de inventar la alegria?
Com otoños de oro la inventaron. 
El vino fluye rojo a lo largo de las generaciones
Como el río del tiempo y en el arduo camino
Nos prodiga su música, su fuego y sus leones.
En la noche del júbilo o en la jornada adversa
Exalta la alegria o mitiga el espanto
Y el ditirambo nuevo que este día le canto
Otrora lo cantaron el árabe y el persa.
Vino, enseñame el arte de ver mi propia historia
Como si ésta ya fuera ceniza en la memória.

E em Português...

SONETO DO VINHO
Jorge Luis Borges

Em que reino, em que século, sob que silenciosa 
Conjunção dos astros, em que dia secreto
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa
E singular idéia de inventar a alegria?
Com outonos de ouro a inventaram. 
O vinho flui rubro ao longo das gerações
Como o rio do tempo e no árduo caminho
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões.
Na noite do júbilo ou na jornada adversa
Exalta a alegria ou mitiga o espanto
E a exaltação nova que este dia lhe canto
Outrora a cantaram o árabe e o persa.
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história 
Como se esta já fora cinza na memória.

10 de setembro de 2016

JP Azeitão Tinto Seleção do Enólogo 2014


Delicioso vinho frutado da Península de Setúbal, do produtor Bacalhôa Vinhos de Portugal.

Um Blend feito com as castas Castelão (53%), mais conhecida como a uva Periquita na região de Setúbal, Aragonez e Syrah, que são vindimadas separadamente e vinificadas pelo método tradicional, com macerações curtas e fermentação a temperaturas controladas para garantir a concentração de frutas no vinho.

Sem estágio em madeira, o que garante frescor e jovialidade à bebida, que tem potencial de guarda de até 4 anos.

De coloração vermelho rubi intenso, no nariz revela aromas de frutas vermelhas como morango e framboesa e especiaria picante (pimenta). Na boca é leve, frutado, com taninos suaves e boa persistência.

Comprado na Wine.com por R$ 36,00.

Excelente achado! Vinho fácil de agradar, gostei e recomendo.