17 de março de 2016

AS GARRAFAS DE VINHO: os diversos formatos

Em relação à forma, as primeiras garrafas eram arredondadas, com gargalo longo em formato de cone, e com tamanhos maiores, de vários litros, pois quanto maior o envase, melhor a evolução e amadurecimento do vinho.

Com o tempo passou-se à forma cilíndrica e de menos volume, o que facilitou não só o transporte e a comercialização como o empilhamento das garrafas na horizontal.

E como já visto em relação às cores no último post, o formato da garrafa também revela muito sobre o vinho.

As mais tradicionais são as garrafas de Bordeaux ou bordalesas: corpo cilíndrico e alto, com “ombros” angulares e gargalo comprido (01); as de Borgonha ou borgonhesas: mais larga e arredondada, com curvas suaves e quase sem “ombros” (02); a da região de Alsácia ou alsaciana (ou "flute"): mais fina, alongada e mais comprida, sem “ombros” (03); e as garrafas de Champagne: mais larga e maior, de curvas suaves, de vidro mais grosso e resistente para suportar a pressão interna da bebida (04):




No caso dos vinhos do Novo Mundo, novamente, o critério de escolha é livre. Mas prevalece a utilização dos formatos análogos aos Europeus.

Em vinhos produzidos no Chile, no Brasil e na Austrália, por exemplo, é comum que se utilize a garrafa do tipo bordalesa sempre que o vinho for produzido com as cepas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, originárias da região de Bordeaux.

Caso seja um vinho feito das uvas Pinot Noir ou Chardonnay, castas originárias da região de Borgonha, a preferência será por garrafas do tipo borgonhesas.


As mesmas garrafas para Chablis, Chardonnay da Borgonha
e Chardonnays californianos

Se o vinho vier da Alsácia ou da Alemanha e for feito com as uvas típicas Riesling e Gewürztraminer, então o formato da garrafa será o alsaciano ou "flute":

Vinho da Alsácia em garrafa "flute"

E diversos espumantes pelo mundo afora também são envasados em garrafas que possuem o formato típico da região de Champagne.

Então agora vocês já sabem:

Se o vinho vier em uma garrafa de cor verde escuro do tipo bordalês, é bem provável que você esteja diante de um “blend” feito com as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc provenientes da região de Bordeaux, ou de um vinho do Novo Mundo produzido com essas uvas, típicas daquela região.

E se o vinho vier em uma garrafa de cor verde escuro do tipo borgonhesa, é bem provável que você esteja diante de um varietal proveniente da região da Borgonha feito com as uvas Pinot Noir ou Chardonnay, ou de um vinho do Novo Mundo produzido com essas mesmas uvas, e que “aspiram ser um Borgonha”, por assim dizer. 

Porém, se a garrafa for do tipo borgonhesa e a cor não for verde escuro, como na figura abaixo, bem, é vinho feito com as uvas Pinot Noir ou Chardonnay, mas produzido no Novo Mundo, porque as garrafas que saem da Borgonha são todas, sempre, de cor verde escuro. 

É só prestar atenção nos diferentes formatos e nas cores das garrafas:


Etretanto (e sempre há um entretanto), alguns produtores de regiões clássicas (a exemplo do que acontece hoje em Bordeaux) estão a abandonar as tradições produzindo vinhos que não são engarrafados em conformidade com as convenções da sua região, exatamente para serem considerados modernos e diferenciados.

Não percam o último post da série sobre garrafas: AS GARRAFAS DE VINHO: a reentrância na base, no qual falaremos sobre
a curiosa concavidade existente na base de algumas garrafas.

Espero que tenham gostado, e se gostaram compartilhem!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por comentar!